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Para os Xokó, todo dia é Dia de Índio

Comunidade indígena na Ilha do São Pedro comemora outras datas, mas o Dia do Índio é celebrado durante todo o ano.





Às margens do Rio São Francisco, na Ilha São Pedro, município de Porto da Folha, 89 alunos têm um diferencial nas aulas da escola em que estudam. São parte da comunidade Xocó que estudam no Colégio Indígena Estadual Dom José Brandão de Castro, além das disciplinas comuns a todas as unidades de ensino, a cultura dos índios Xocó. Para eles e os demais 423 habitantes da Ilha São Pedro, todo dia, é Dia de Índio.

A ilha está localizada a 30 quilômetros do município que fica no sertão de Sergipe. É lá que os Xocó vivem numa pequena comunidade formada por 512 habitantes que mantém as tradições indígenas. Hoje, 19 de abril, Dia do Índio, as aulas seguem normal, sem nenhuma atividade extra, porque para eles, dia do índio é todo o dia. 

Suporte

As aulas têm o suporte e apoio dos governos do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), e do Governo Federal. O Departamento de Educação, Serviço de Educação e Direitos Humanos da Seed (DED/Sedh), do Núcleo de Educação da Diversidade e Cidadania, da Coordenação de Educação Escolar Indígena (Nedic), presta o acompanhamento, orientação e formação continuada para os 13 docentes que atuam na unidade escolar, além de oferecer alimentação para os alunos. A unidade escolar possui uma estrutura física adequada para a realização das aulas e atividades pedagógicas.

De acordo com a coordenadora estadual de Educação Indígena, Maria das Dores Santana de Oliveira, a difusão da cultura indígena é um dos princípios adotados pela Seed, respeitando e incentivando as origens e a cultura. 

Atividades

Ela explicou que diversas atividades, eventos e projetos pedagógicos são realizados no Colégio Indígena Estadual Dom José Brandão de Castro “todos visando a reflexão e a discussão de assuntos pertinentes à educação indígena”, ressaltou. As ações constam de planejamento anual, realizado geralmente no mês de dezembro com todo o corpo docente e equipe diretiva.

.A coordenadora comenta que mesmo contando com aulas das disciplinas nos dias letivos, o Nedic promove oficinas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Essa ação permite o reforço, possibilitando assim que os alunos ampliem os conhecimentos e estejam aptos para a avaliação. No passado, registramos 28 indígenas no ensino superior e em 2017 três alunos obtiveram excelentes resultados no Enem", diz ao elogiar a parceria com o Serviço de Ensino Médio da Secretaria de Estado da Educação (Semed) na obtenção de bons resultados. 

Fotografia

Outra iniciativa que conta com a aceitação e o envolvimento dos alunos é o projeto "Arte Fotográfica: uma comunidade pelo olhar dos seus", onde os registros feitos pela própria comunidade indígena comporão uma exposição fotográfica. O jovem Emerson Acácio dos Santos Silva, aluno do 9° ano, descobriu o seu talento por meio da fotografia e já é referência entre os colegas e também na comunidade.

"Gosto de fotografar a natureza, pessoas e a arte indígena da minha comunidade, aprendo muito com este projeto.  Adoro as aulas, percebo que os professores são altamente capacitados. Eles respeitam os aspectos da nossa cultura e tem alguns que apesar de serem brancos fazem parte da família Xokó.  Estudo no Colégio Indígena Estadual Dom José Brandão de Castro desde o ensino fundamental. Reconheço que tenho amor por minha escola e por minha aldeia", afirma Emerson ao confessar que sonha em fazer cursos de fotografia para aprimorar os conhecimentos.

Acolhimento 

A professora de Educação Física, Jackeline Carvalho Lima, que há quatro anos atua na comunidade Xokó diz que ministrar aulas na escola permite um rico aprendizado nos aspectos profissionais como também na formação pessoal. "Aqui fui e sou bem acolhida é uma experiência fantástica conviver diretamente numa cultura que não pertenço. Ensinei muitas brincadeiras e jogos que eles não conheciam, como também me apropriei e aprendi as atividades recreativas da tribo. É muito gratificante trabalhar com esses jovens".

Dia do Índio

A comunidade ainda preserva as origens e praticam costumes tradicionais como a dança do toré, que acontece em diversas ocasiões especialmente nos rituais sagrados que invocam as forças da natureza, o samba de coco e os atos cerimoniais do Ouricuri.  O povo Xokó também comemora a Semana Santa, dia de Santo Antônio, São João, São Pedro, em 9 de setembro é comemorado o dia da independência deles.

"Para os moradores da comunidade, o Dia do índio é comemorado durante todo o ano e não há nenhuma atividade específica para o 19 de abril", finaliza Maria das Dores Santana de Oliveira.

Fonte: Jornal da Cidade
19/04/2017


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